Tontura em idosos: causas, tipos e quando procurar ajuda médica
O desequilíbrio e a tontura podem afetar a autonomia do idoso. Descubra como prevenir quedas e recuperar a confiança ao caminhar.
O que é a tontura e por que ela é comum no envelhecimento
A tontura é um dos sintomas mais comuns relatados por pessoas idosas. Estima-se que cerca de 50% dos idosos acima de 80 anos apresentem episódios de tontura — e entre aqueles com mais de 90 anos, o número chega a 54%.
Apesar de frequente, a tontura não deve ser vista como algo normal da idade. Ela pode indicar alterações em diferentes sistemas do corpo e, quando não tratada, aumenta o risco de quedas, fraturas, traumas na cabeça, isolamento social por medo de sair de casa, ansiedade e depressão e assim perda de autonomia.
Quanto mais comorbidades, mais medicações o idoso usa, maior risco de ter tontura.
Por que o idoso sente mais tontura?
Manter o equilíbrio é um processo complexo que envolve a integração de vários sistemas do corpo. Com o envelhecimento, pequenas falhas em um ou mais desses sistemas podem gerar desequilíbrio e tontura.
Veja como cada um participa desse controle:
- Sistema vestibular (labirinto): localizado no ouvido interno, detecta movimentos e mudanças de posição da cabeça. Quando há disfunção, o cérebro interpreta erroneamente o movimento, gerando tontura.
- Visão: os olhos ajudam o cérebro entender a posição do corpo no espaço. alterações visuais, como catarata ou óculos desatualizados, prejudicam a noção de espaço piorando o equilíbrio
- Propriocepção: os nervos das pernas e pés informam o cérebro sobre a posição corporal, se o corpo esta inclinado, apoiado. Doenças como neuropatia (doença que afeta os nervos) reduzem essa sensibilidade.
- Nervos cranianos: são os cabos elétricos que levam as informações entre os órgãos dos sentidos (ouvidos, olhos) e o cérebro. Se algum deles sofrer alguma lesão o equilíbrio pode ser afetado
- Cerebelo: coordena movimentos e equilíbrio. AVCs nessa região frequentemente causam tontura.
- Tronco encefálico: funciona como uma central de comunicação entre o cérebro e o resto do corpo. Integra as informações e comanda respostas automáticas de ajuste postural.
- Audição: o som também pode ajudar na orientação espacial – por exemplo, saber de onde vem uma voz ou barulho, assim a perda auditiva também pode afetar o equilíbrio
- Músculos e articulações: a sarcopenia (perda de massa muscular) reduz a força e a velocidade de resposta do corpo.
- Córtex cerebral: recebe as informações e planejo os movimentos. alterações cognitivas e demências interferem na percepção espacial e aumentam o risco de quedas.
Tipos de tontura
Nem toda tontura é igual. Ela pode ter diferentes causas e sensações — e identificar o tipo é essencial para o diagnóstico correto.
- Vertigem (50% dos casos)
Sensação de que tudo está girando, como se o ambiente se movesse. Pode causar náusea, vômito e suor frio. Paciente relata sensação de estar alcoolizado, em um barco agitado, em um carrossel. Paciente refere que tontura piora ao mexer a cabeça. Esse tipo de tontura pode ocorrer nistagmo (movimentos rápidos e involuntários do olho).
Principais causas:
- VPPB (Vertigem Posicional Paroxística Benigna): a mais comum em idosos; no ouvido interno, dentro do labirinto, há pequenos cristais, que ajudam o corpo a perceber o movimento. Com o passar da idade, após traumas leves ou infecções, esses cristais podem se soltar e cair em uma parte errada do labirinto. Quando isso acontece qualquer movimento da cabeça como deitar, levantar, olhar para cima causa tontura. O médico através de uma manobra tenta colocar os cristais de volta no lugar
- Cinetose: tontura provocada por movimento (carro, barco, avião).
- Labirintite: inflamação do nervo vestibular, geralmente viral pode gerar tontura.
- AVC: pode afetar áreas cerebrais ligadas ao equilíbrio.
- Pré-síncope (10–15% dos casos)
Sensação de desmaio iminente, escurecimento da visão e fraqueza.
Causas:
- Queda de pressão ao se levantar (hipotensão postural);
- Arritmias ou doenças cardíacas;
- Hipoglicemia;
- Anemia;
- Ataques de pânico ou hiperventilação.
- Desequilíbrio (15–20% dos casos)
Sensação de instabilidade ao andar, com melhora ao sentar ou deitar.
Comum em idosos com múltiplos fatores como neuropatias, Parkinson, problemas visuais, audição e musculares ou uso de medicamentos sedativos (clonazepam, alprazolam, bromazepam, zolpidem, quetiapina, haloperidol, risperidona, olanzapina, etc), uso crônico de alcool.
- Atordoamento (10% dos casos)
Tontura “dentro da cabeça”, com sensação de leveza ou flutuação. Pode estar relacionada à ansiedade, estresse ou respiração acelerada.
É importante lembrar que o idoso pode apresentar mais de um tipo de tontura ao mesmo tempo — e, por isso, o diagnóstico deve sempre ser individualizado.
Diagnóstico da tontura
O diagnóstico começa com uma entrevista clínica detalhada, onde o médico busca entender o tipo de tontura, quando ocorre, e se há relação com postura, alimentação ou medicamentos.
Avaliação médica inclui:
- Exame físico neurológico completo, com testes de equilíbrio e coordenação (testes de marcha, Romberg, Dix-Hallpike (para VPPB), avaliação de nervos cranianos, testes para avaliar tremor, etc)
- Aferição da pressão arterial deitado e em pé, para verificar hipotensão postural;
- Exames laboratoriais (anemia, glicemia, vitamina B12, função renal);
- Exames específicos, quando necessário: ressonância magnética, Holter, ecocardiograma ou tilt test.
O diagnóstico correto evita o uso inadequado de medicamentos e reduz o risco de quedas e complicações.
Tratamento da tontura
O tratamento depende da causa, mas na maioria das vezes é benigno e pode sarar espontaneamente (o próprio corpo corrige o problema)
Recomendações gerais:
- Manter boa hidratação e evitar longos períodos em jejum;
- Levante-se devagar ao mudar de posição; sente-se alguns segundos antes de caminhar.
- Controlar pressão arterial, diabetes e colesterol;
- Corrigir problemas visuais e auditivos;
- Evitar cafeína, álcool e fumo, adoçante tipo aspartame, chocolate;
- Revisar os medicamentos com o médico, especialmente calmantes e sedativos;
- Fazer fisioterapia ou reabilitação vestibular com fonoaudióloga especializada;
- Em alguns casos, o uso de bengala ajuda na estabilidade e confiança para andar.
Medicamentos como flunarizina, cinarizina devem ser usados com cautela, pois podem causar sintomas semelhantes ao Parkinson se usados cronicamente. Dimenidrato (conhecido como dramin) pode gerar sonolência, queda. Betaistina pode gerar gastrite, piorar asma.
Além dos efeitos adversos, o uso de medicações crônicas para tontura, atrasa compensação do corpo, então uso continuo, use apenas se necessário com orientação médica.
Quando procurar o médico
Procure avaliação geriátrica se houver:
- Tonturas frequentes ou que pioram com o tempo;
- Quedas, desmaios ou visão turva;
- Uso de vários medicamentos diários;
- Dores de cabeça associadas;
- Dificuldade para caminhar ou perda de equilíbrio.
Com o acompanhamento adequado, é possível tratar as causas da tontura e recuperar a segurança nos movimentos.
Quando procurar emergência?
Procure atendimento urgente se houver: perda súbita da força, dificuldade para falar, visão dupla, queda com trauma craniano, confusão mental muito marcada, convulsão ou sinais de AVC. Se a tontura vier acompanhada de desmaio ou queda, não subestime — busque avaliação imediata.
CONCLUSÃO
A tontura em idosos é um sintoma comum, multifatorial e potencialmente grave. Com avaliação geriátrica adequada é possível identificar causas tratáveis, reduzir o risco de queda e restabelecer a confiança para retomar atividades. Não deixe para depois: investigar é prevenir.
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