Colesterol Alto

Colesterol alto em idosos: entenda os riscos, causas e tratamento

Colesterol alto em idosos: entenda os riscos, causas e tratamento

O colesterol alto é um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, como infarto e AVC — mas ainda é pouco compreendido. Entender o que significam os exames e como o colesterol se comporta no organismo é essencial para cuidar bem do coração em todas as idades.

O que é o Colesterol?

O colesterol é um tipo de gordura (lipídio) presente em todas as células do corpo. Ele é fundamental para o funcionamento do organismo, participando de diversas funções vitais, como:

  • Produção de hormônios (testosterona, estrogênio, cortisol);
  • Formação da vitamina D;
  • Composição das membranas celulares, protegendo as células;
  • Digestão de gorduras, através da bile produzida no fígado.

O problema surge quando há excesso de colesterol e triglicerídeos no sangue, o que favorece o acúmulo de placas nas artérias e aumenta o risco de doenças cardiovasculares.

Por que esse tema é importante

Cerca de 40% da população adulta brasileira tem colesterol elevado, e essa porcentagem aumenta com a idade.

Entre os idosos, o controle dos níveis de colesterol é ainda mais essencial, pois reduz o risco de infarto, AVC e declínio cognitivo.

Principais tipos de colesterol

Os exames de sangue medem diferentes tipos de gordura (lipídios). Entenda o que significa cada um deles:

  • Colesterol total: soma de todas as frações (LDL, HDL e VLDL).
  • LDL (colesterol ruim): transporta o colesterol do fígado para os tecidos. Em excesso, se acumula nas artérias, formando placas de gordura. Quanto menor o LDL, melhor.
  • HDL (colesterol bom): faz o caminho inverso — remove o colesterol das artérias e o leva de volta ao fígado onde é convertido em sais biliares e é eliminado no intestino delgado, ou seja o colesterol HDL protege o coração. Quanto maior o HDL, melhor.
  • Triglicerídeos: outro tipo de gordura no sangue. Servem como reserva de energia, mas em excesso estão ligados à alimentação inadequada e ao sedentarismo. Níveis muito altos (acima de 500) aumentam o risco de pancreatite. Também aumentam o risco cardiovascular
  • Apolipoproteína B (ApoB): A ApoB é uma proteína que faz parte das partículas de LDL e VLDL (as que carregam colesterol e triglicerídeos no sangue). Cada partícula “ruim” tem uma ApoB, então medir a ApoB mostra quantas partículas estão circulando no sangue. Quanto mais alta a ApoB, maior o risco de entupimento das artérias.
  • Lipoproteína(a) [Lp(a)]: partícula altamente aterogênica (6 vezes mais formadora de placas que o LDL) ou seja níveis altos dessa partícula aumenta risco de AVC, Infarto. Está relacionada à genética (ou seja individuo pode ter essa particular alta desde jovem), e deve ser medida ao menos uma vez na vida em todo adulto.

Valores de referência

Os níveis ideais de colesterol variam conforme o risco cardiovascular do paciente — calculado com base em idade, histórico de doenças e estilo de vida.

Segundo as diretrizes de 2025:

  • Baixo risco: LDL < 115 mg/dL
  • Risco intermediário: LDL < 100 mg/dL
  • Alto risco: LDL < 70 mg/dL
  • Muito alto risco: LDL < 50 mg/dL
  • Extremo risco: LDL < 40 mg/dL

Durante a consulta, o médico avalia o risco individual e define a meta personalizada do seu colesterol, visando proteção máxima do coração e das artérias.

Causas do colesterol alto

O aumento do colesterol pode ter origens genéticas ou estar ligado a fatores de estilo de vida e outras doenças.

As causas mais comuns incluem:

  • Histórico familiar (hipercolesterolemia genética);
  • Sedentarismo;
  • Alimentação rica em gorduras saturadas e açúcares;
  • Tabagismo e álcool;
  • Doenças dos rins ou fígado;
  • Diabetes mellitus;
  • Hipotireoidismo;
  • Uso de certos medicamentos, como corticoides, antipsicóticos (quetiapina, olanzapina), esteroides, diuréticos tiazídicos;
  • Obesidade.

Colesterol alto causa sintomas?

Na maioria dos casos, o colesterol alto é silencioso.
Muitos pacientes só descobrem durante exames de rotina.

Em situações mais graves, podem surgir sinais como:

  • Xantelasma: pequenas placas amareladas nas pálpebras;
  • Xantomas: nódulos de gordura em articulações (como cotovelos);
  • Halo córneo: anel esbranquiçado nos olhos, causado pelo acúmulo de gordura

Esses sinais indicam níveis muito elevados e prolongados de colesterol no sangue.

Consequências do colesterol não tratado

Manter o colesterol alto por longos períodos aumenta o risco de:

  • Infarto agudo do miocárdio;
  • AVC (derrame cerebral);
  • Doença arterial periférica (má circulação nas pernas);
  • Placas nas artérias carótidas;
  • Demência vascular;
  • Pancreatite, quando os triglicerídeos estão muito elevados.

Essas complicações são preveníveis com acompanhamento médico regular.

Tratamento

O tratamento depende do risco cardiovascular e dos níveis de colesterol, mas sempre envolve três pilares: mudança de hábitos, controle clínico e, quando necessário, uso de medicamentos.


🏃
Atividade física

O exercício regular aumenta o HDL (colesterol bom) e reduz o LDL e os triglicerídeos.


🚭
Estilo de vida saudável
  • Evitar fumo e álcool;
  • Reduzir o consumo de frituras, doces e refrigerantes;
  • Preferir alimentos integrais, frutas, verduras e peixes;
  • Manter o peso adequado e evitar o sedentarismo.

💊
Tratamento medicamentoso

Quando as mudanças no estilo de vida não são suficientes, o médico pode prescrever medicamentos.

Principais opções:

  • Estatinas (atorvastatina, rosuvastatina, pitavastatina, sinvastatina): reduzem a produção de colesterol no fígado e são as mais eficazes para baixar o LDL.

→ Efeito colateral raro: dor muscular leve em menos de 5% dos casos.
→ A deficiência de vitamina D e problemas de tireoide aumentam o risco desse efeito.

Caso esse efeito permaneça é valido usar pitavastatina que a é estatina com menos chance de ter dor na perna

  • Ezetimiba: ajuda baixar LDL.
  • Fibratos (ciprofibrato, fenofibrato): usados para baixar triglicerídeos.
  • Inibidores de PCSK9 (alirocumabe, evolocumabe, inclisirana): medicações modernas e potentes, indicadas em casos genéticos ou de alto risco. Usadas para abaixar o LDL, porem muito caras.
  • Ácido bempedoico: nova opção para abaixar LDL disponível no Brasil desde 2025.
  • Ômega 3: pode auxiliar no controle dos triglicerídeos, mas sua eficácia depende da pureza e da concentração do produto.

Todo tratamento deve ser personalizado e acompanhado pelo médico geriatra, garantindo segurança e bons resultados a longo prazo.

Prevenção

Prevenir é sempre o melhor caminho.

Exames de rotina, alimentação equilibrada e prática de exercícios são medidas simples que ajudam a manter o colesterol controlado.

Lembre-se: controlar o colesterol é cuidar do coração, do cérebro e da longevidade.

CONCLUSÃO

O colesterol alto é uma condição silenciosa, porém grave.

Com diagnóstico precoce, alimentação equilibrada e acompanhamento médico, é possível controlar os níveis de gordura no sangue e prevenir doenças cardiovasculares.

O geriatra tem papel essencial em avaliar o paciente de forma global, considerando doenças associadas, medicamentos em uso e metas individualizadas para cada caso.

Quer saber se seu Colesterol está alto?

Agende uma consulta com o Dr. Bruno Krepischi e descubra como controlar o colesterol com segurança.

Compartilhar: