Diabetes

Diabetes em idosos: sintomas, riscos e tratamento

Diabetes em idosos: sintomas, riscos e tratamento

O diabetes é uma das doenças crônicas mais comuns na população idosa e, quando não controlado, pode causar complicações graves como perda visual, problemas renais e doenças cardíacas. Identificar precocemente e tratar de forma adequada é essencial para preservar a autonomia e a qualidade de vida.

O que é Diabetes Mellitus?

O Diabetes Mellitus (DM) é um conjunto de doenças metabólicas caracterizadas pelo aumento dos níveis de glicose no sangue. Ele ocorre devido a uma deficiência na produção de insulina, resistência à sua ação ou a combinação de ambos os mecanismos.
Trata-se de uma condição muito prevalente no Brasil e especialmente relevante na Geriatria, já que mais de 30% dos idosos apresentam diabetes, muitas vezes sem diagnóstico inicial.

Com o aumento da obesidade e do sedentarismo, a incidência de diabetes cresce de forma consistente em todo o mundo. O Brasil é hoje o sexto país com maior número de pessoas diabéticas, com mais de 16 milhões de casos estimados.

Como funciona o corpo e o que é o Diabetes Mellitus

O pâncreas é uma glândula composta por duas partes:

  • Exócrina (99%) – produz enzimas digestivas;
  • Endócrina (1%) – formada pelas ilhotas de Langerhans, que liberam hormônios como insulina, glucagon e somatostatina.

A insulina é o hormônio responsável por permitir que a glicose entre nas células, funcionando como uma “chave” que abre a porta de entrada da glicose para produção de energia.

Quando comemos, a glicose no sangue aumenta e as células beta do pâncreas liberam insulina.
No diabetes, esse mecanismo não funciona corretamente.

Tipos de Diabetes

Existem diversos tipos de diabetes, cada um com causas e características próprias.

  1. Diabetes Tipo 1

Doença autoimune na qual anticorpos destroem as células beta do pâncreas, impedindo a produção de insulina. Geralmente se manifesta na infância ou adolescência.

  1. Diabetes Tipo 2

Forma mais comum da doença. Está relacionada a:

  • Obesidade;
  • Sedentarismo;
  • Alimentação inadequada;
  • Envelhecimento;
  • Tabagismo
  • Resistência à insulina;
  • Histórico familiar.

Pode surgir em qualquer idade — inclusive na infância —, mas é amplamente prevalente em adultos e idosos.

  1. Diabetes induzido por medicamentos

Alguns remédios podem elevar a glicose, como:

  • Corticoides;
  • Estatinas;
  • Hidroclorotiazida;
  • Antipsicóticos (quetiapina, risperidona, olanzapina).

  1. Diabetes secundário a doenças

Algumas condições podem elevar a glicemia:

  • Síndrome de Cushing- doença que tem excesso da produção de cortisol que pode gerar diabetes, pressão alta, ganho de peso
  • Acromegalia – doença que ocorre aumento produção de hormônio do crescimento
  • Hiperaldosteronismo- patologia que tem acumulo de um hormônio chamado aldosterona que retem agua, sódio podendo cursar com diabetes, pressão alta
  • Hemocromatose – acumulo de ferro nos tecidos. Pode gerar diabetes
  • Pancreatite;- inflamação no pancreas
  • Infecções- quando nosso corpo está combatendo uma infecção pode ocorrer aumento da glicemia.

  1. MODY

Forma rara e genética de diabetes causada por mutações específicas.

  1. LADA

Diabetes autoimune de progressão lenta que aparece na vida adulta.

  1. Diabetes Gestacional

Aparece durante a gestação devido a alterações hormonais.

Quais são os sintomas do diabetes?

Depende do tipo.

Diabetes Tipo 1 (início rápido)
  • Urinar muito (poliúria)
  • Sede intensa (polidipsia)
  • Fome exagerada (polifagia)
  • Perda de peso inexplicada

Diabetes Tipo 2 (forma mais comum)

Geralmente não apresenta sintomas, mas pode causar:

  • Visão embaçada
  • Tontura e mal-estar
  • Feridas que demoram a cicatrizar

Alguns pacientes só descobrem a doença quando já apresentam complicações, como neuropatia ou problemas renais — por isso o rastreamento é essencial.

Complicações do diabetes mal controlado

O diabetes pode afetar praticamente todos os órgãos do corpo, especialmente quando mal controlado.

👁 Retinopatia diabética

Uma das principais causas de cegueira no mundo.

🩺 Doença renal crônica

Principal causa de diálise no Brasil.

❤️ Doenças cardiovasculares

Aumenta significativamente o risco de:

  • Infarto
  • AVC
  • Placas nas carótidas

🦵 Doença arterial periférica

Dificuldade em caminhar devido à dor nas pernas.

🧠 Neuropatia diabética

Pode gerar:

  • Queimação nos pés e mãos
  • Mãos em garra
  • Deformidades nos pés
  • Tontura ao levantar
  • Constipação
  • Retenção urinária
  • Coceira na pele
  • Fraqueza muscular
  • Disfunção erétil
  • Excesso de suor em alguns locais
  • Não sentir dor em alguns locais – paciente pode se perfurar com prego e não sentir. Ocorre em fases avançadas

Emergências: cetoacidose e estado hiperosmolar

Quadros graves com náuseas, vômitos, dor abdominal, sonolência e desidratação.
Necessitam de atendimento hospitalar imediato.

Exames para diagnóstico

  1. Glicemia capilar

Se acima de 200 mg/dL + sintomas → sugere diabetes.

  1. Glicemia de jejum
  • Normal: < 100 mg/dL
  • Pré-diabetes: 100–125 mg/dL
  • Diabetes: ≥ 126 mg/dL (em 2 exames).

  1. Teste oral de tolerância à glicose

Após um jejum, paciente ingere uma bebida açucarada e o sangue é coletado em intervalos para ver como corpo reage a glicose

Diabetes se ≥ 200 mg/dL após 2h ouuu maior que 209 após 1h.

  1. Hemoglobina glicada (HbA1c)

Mostra a média da glicose dos últimos 3 meses.

  • Normal: < 5,7%
  • Pré-diabetes: 5,7%–6,4%
  • Diabetes: ≥ 6,5%


Importante: condições como anemia e doença renal podem alterar o resultado.

Exames para investir a causa da diabetes como solicitação de hormônios deve ficar a critério medico de acordo com sintomas do paciente.

Pré-diabetes: devo me preocupar?

Sim.

O pré-diabetes não é uma doença, mas é um estado de alto risco. Entre 25% e 40% evoluem para DM2 em cinco anos.

Casos que podem usar medicação (ex: metformina):

  • IMC > 35
  • Glicemia > 110
  • HbA1c > 6,0%
  • História de diabetes gestacional
  • Síndrome metabólica
  • Jovens de 25-59 anos com pré diabetes

Tratamento do Diabetes

O tratamento é individualizado e combina mudanças de hábitos e, quando necessário, medicações.

Estilo de vida

  • Perda de peso quando há obesidade
  • Atividade física (aumenta a sensibilidade à insulina ou seja favorece insulina agir no corpo)
  • Alimentação saudável – Evitar doces, refrigerantes;
  • Acompanhamento com nutricionista e educador físico.

Medicações

Principais classes:

  • Metformina: primeira escolha, boa eficácia, Segura, auxilia na perda de peso. Pode causar desconforto gastrointestinal (náusea, diarreia, empachamento) no início . uso continuo pode gerar deficiência de vitamina B12. Não causa hipoglicemia
  • Sulfonilureias (gliclazida, glibenclamida, glimepirida): eficazes, mas podem causar hipoglicemia, ganho de peso
  • Inibidores de SGLT2 (dapagliflozina, empagliflozina): protegem o rim. Elimina o excesso de glicose pelo rim
  • Análogos de GLP-1 (semaglutida, liraglutida): medicação que auxiliam no controle do diabetes e perda de peso
  • inibidores de DD4 (linagliptina, evogliptina): seguras e sem risco de hipoglicemia
  • Pioglitazona: boa eficácia, útil em esteatose hepática, mas com contraindicações (não pode em quem tem insuficiência cardíaca grave, pode aumentar risco de fratura)
  • Insulina: tratamento mais potente para reduzir a glicemia. Risco de hipoglicemia . oriento meus pacientes sempre como aplica e rodiziar locais de aplicação (abdome, coxa, braço, nadegas).

A escolha depende do quadro clínico, idade, comorbidades e risco de hipoglicemia.

Hipoglicemia: complicação perigosa

Hipoglicemia é quando a glicose cai para:

  • < 55 mg/dL em pessoas sem diabetes
  • < 70 mg/dL em diabéticos

Abaixo de 40 mg/dL → grave e emergencial.

Sintomas

  • Suor
  • Visão turva
  • Palidez
  • Tremor
  • Confusão mental
  • Palpitação
  • Náuseas
  • Sonolência
  • Convulsão
  • Dor de cabeça
  • Sudorese

Tratamento

  • Casos leves: ingerir fonte de glicose (doce, suco, refrigerante).
  • Casos graves: glicose na veia.

Em idosos, o risco é maior devido a múltiplas comorbidades, esquecimento de doses e interações medicamentosas.

CONCLUSÃO

O diabetes é uma condição séria, mas totalmente possível de controlar com orientação adequada.
O acompanhamento com um geriatra permite avaliar todo o contexto do paciente — medicamentos, comorbidades, dieta e riscos cardiovasculares — garantindo um tratamento seguro e personalizado.

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