Quedas

Quedas em idosos: causas, riscos e como prevenir

Quedas em idosos: causas, riscos e como prevenir

O envelhecimento traz mudanças naturais que afetam o equilíbrio e a força muscular. Entender essas alterações é o primeiro passo para prevenir quedas e garantir mais segurança no dia a dia.

Por que falar sobre quedas é tão importante?

As quedas em idosos são um dos principais motivos de atendimento médico e internações nessa faixa etária. Mais do que um simples acidente, uma queda pode causar fraturas, perda de mobilidade, medo de cair novamente e até complicações graves à saúde.

As consequências variam conforme a intensidade da queda, mas podem incluir:
  • Fraturas, especialmente do fêmur, que podem levar o idoso à imobilização prolongada e dores crônicas.
  • Traumatismo craniano com risco de sangramentos (como o hematoma subdural), podendo causar confusão mental, convulsões, dor de cabeça, sonolência, náuseas e vômitos.
  • Medo de cair novamente, gerando isolamento social, ansiedade e depressão.
  • Risco de infecções hospitalares, quando há necessidade de internação após o acidente.


Cuidar da prevenção de quedas é, portanto, cuidar da autonomia e da qualidade de vida do idoso.

Onde as quedas acontecem com mais frequência?

Cerca de 70% das quedas em idosos ocorrem dentro de casa — o que significa que a maioria poderia ser evitada com simples adaptações no ambiente doméstico.

Locais como o banheiro, o quarto e a cozinha concentram grande parte dos acidentes, geralmente por pisos escorregadios, tapetes soltos, iluminação insuficiente ou excesso de móveis.

Por que o idoso cai?

O envelhecimento traz mudanças naturais no corpo que aumentam o risco de quedas, somadas a doenças crônicas, uso de múltiplos medicamentos e fatores ambientais.

Abaixo estão as causas mais comuns:
  1. Alterações sensoriais e neurológicas
  • Visão: a dificuldade para enxergar no escuro, a redução da noção de profundidade e o campo visual limitado dificultam a percepção de degraus e obstáculos.
  • Audição: a perda auditiva pode comprometer o equilíbrio.
  • Sistema vestibular: responsável pelo equilíbrio, sofre alterações com a idade, aumentando a chance de tonturas.
  • Propriocepção: a capacidade do corpo perceber sua posição no espaço diminui, dificultando respostas rápidas a desequilíbrios.
  • Déficit cognitivo (demência): prejudica o julgamento, a atenção e a capacidade de planejamento, levando o idoso a agir sem perceber riscos.

  1. Fatores físicos e emocionais
  • Depressão e desânimo reduzem a atenção e aumentam o risco de quedas.
  • Perda de força muscular e doenças articulares, como a artrose, afetam a mobilidade.
  • Doença de Parkinson causa rigidez, lentidão de movimentos e instabilidade postural.
  • Problemas cardíacos e arritmias podem provocar desmaios.
  • Doenças neurológicas, como AVC ou neuropatias, comprometem o equilíbrio e a coordenação motora.
  • Hipotensão postural: ocorre quando o idoso se levanta rapidamente, provocando tontura e queda.
  • Infecções, como urinária ou pulmonar, geram fraqueza podendo gerar quedas, sendo a queda muitas vezes um sinal de infecção em idoso
  • Abuso de álcool – o uso crônico de álcool pode afetar o equilíbrio
  • Diabetes mal controlado –favorece tontura e quedas
  • Hipoglicemia
  • Convulsões
  • Alterações na pressão –  tanto a pressão alta quanto baixa podem gerar tontura, quedas
  • Anemia, falta de vitamina D,B12 também estão associadas a quedas.

  1. Uso de medicações

Alguns medicamentos favorecem tonturas, fraqueza e sonolência. Entre eles:

  • Calmantes (ex.: diazepam, clonazepam, bromazepam)
  • Antidepressivos (amitriptilina, nortriptilina, trazodona)
  • Diuréticos e anti-hipertensivos – podem gerar pressão baixa
  • Antipsicóticos (haloperidol, quetiapina, risperidona)
  • Remédios para próstata (doxazocina) ou Parkinson
  • Antialérgicos sedativos (polaramine, hidroxizine)
  • Antidiabéticos que causem hipoglicemia – gliclazida, glibenclamida, etc


Nunca interrompa o uso de uma medicação sem orientação médica, mas vale discutir com o especialista a possibilidade de ajustar doses ou substituir medicamentos.

Fatores ambientais que favorecem quedas

Além das condições clínicas, o ambiente é determinante no risco de quedas. Entre os fatores mais comuns estão:

  • Iluminação insuficiente;
  • Pisos escorregadios ou com desníveis;
  • Tapetes soltos;
  • Fios elétricos expostos;
  • Escadas sem corrimão;
  • Móveis excessivos ou mal posicionados;
  • Falta de barras de apoio no banheiro;
  • Calçados inadequados ou uso apenas de meias;
  • Altura incorreta de camas e vasos sanitários.


Pequenas mudanças nesses aspectos podem reduzir consideravelmente o risco de acidentes.

Avaliação médica: como identificar as causas

Na consulta geriátrica o objetivo é entender o mecanismo da queda, pois o tratamento varia conforme a causa — não é o mesmo quando ela ocorre por fraqueza muscular, desmaio, tontura ou desequilíbrio.

Exames e testes complementares
A avaliação pode incluir:
  • Exames laboratoriais: hemograma, função renal, glicemia, vitamina D e B12, entre outros.
  • Exame neurológico completo e avaliação dos pés (deformidades, sensibilidade).
  • Exames de imagem: tomografia (em casos de trauma de cabeça), ressonância, eletrocardiograma, ecocardiograma e Holter, conforme suspeita clínica.
  • Testes físicos:
    • Avaliação de marcha e equilíbrio;
    • Teste de força muscular (como o “levantar e sentar da cadeira”);
    • Testes cognitivos (Mini Exame do Estado Mental, MoCA, Bateria Breve de Nitrini);
    • Medição da pressão arterial deitado e em pé para avaliar hipotensão postural.


Essa abordagem ampla permite identificar as causas e planejar o tratamento mais adequado para o paciente.

Tratamento e reabilitação

O tratamento depende da causa, mas de modo geral, envolve intervenções médicas e multiprofissionais:

  • Correção da causa principal: ajuste de medicações, tratamento de infecções, controle da pressão arterial e da glicemia.
  • Fisioterapia: essencial para melhorar a força, o equilíbrio e a marcha.
  • Educação física supervisionada: fortalece músculos e melhora a postura.
  • Terapia ocupacional: adaptações no ambiente e orientação sobre uso de dispositivos auxiliares (bengala, andador).
  • Acompanhamento psicológico: importante quando há medo de cair ou sintomas de depressão.
  • Suplementação de vitamina D, B12: pode ser indicada em casos de deficiência comprovada.


O tratamento é sempre individualizado e deve considerar a realidade e as condições de cada paciente.

Prevenção de quedas no dia a dia

Medidas simples podem fazer grande diferença:

  • Remover tapetes ou fixá-los se possível
  • Degraus podem ter fitas antiderrapantes; coloridas como primeira escolha para melhor visualização
  • Garantir boa iluminação em todos os cômodos;
  • Instalar barras de apoio e corrimãos em banheiros e escadas;
  • Evitar encerar o piso
  • Evitar muitos moveis na casa
  • Retire fios do chão
  • Usar calçados firmes e antiderrapantes;
  • Levantar-se lentamente da cama ou cadeira;
  • Manter o piso do banheiro seco e com tapetes antiderrapantes;
  • Deixar o telefone ao alcance;
  • Mobiliar não devem ser muito altas nem muito baixas
  • Colocar cadeira para sentar no banho
  • Não deixe objetos soltos nas escadas
  • Armários deve ser de fácil alcance e fixos na parede
  • Evitar subir em cadeiras para pegar objetos
  • Use óculos, aparelho auditivo caso indicado por seu médico
  • Maçanetas tipo alavanca são melhores que redondas
  • Evite andar somente com meias, use sempre sapatos
  • Realizar exercícios regulares de equilíbrio e força muscular.


A tecnologia também pode ser aliada: sensores de movimento, alarmes de queda e até “airbags para idosos” estão disponíveis e devem ser avaliados com o médico.

CONCLUSÃO

As quedas não são um evento isolado, mas um sinal de que o corpo precisa de atenção. A avaliação geriátrica permite identificar causas, corrigir riscos e orientar a prevenção — promovendo mais segurança, autonomia e qualidade de vida.

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