Incontinência Urinaria

Incontinência urinária em idosos: por que acontece e como tratar

Incontinência urinária em idosos

A perda involuntária de urina é um problema comum, mas muitas vezes subestimado. Na terceira idade, pode afetar o conforto, o sono e a qualidade de vida. A boa notícia é que existem tratamentos eficazes — e, com acompanhamento médico, é possível recuperar o controle e a confiança.

O que é incontinência urinária?

A incontinência urinária é a perda involuntária de urina, em qualquer quantidade, e não é uma condição normal do envelhecimento.

Embora muitas pessoas acreditem que “escapar urina” seja algo inevitável com a idade, trata-se de um sinal de que algo não está funcionando bem na bexiga, nos músculos pélvicos ou no controle nervoso da micção.

Em condições normais, a bexiga consegue armazenar cerca de 150 a 200 ml de urina antes de surgir a necessidade de urinar, 300-400 ml antes de surgir uma necessidade urgente de urinar. Produzimos, em média, 1,5 a 2,5 litros de urina por dia, com intervalos de 3 a 4 horas entre as micções. Geralmente eliminamos 250 ml por micção

Urinar uma ou duas vezes à noite pode ser considerado normal. Mas, quando há vazamentos frequentes, urgência para urinar ou perda de urina ao tossir, rir ou se movimentar, é fundamental buscar avaliação médica.

Tipos de incontinência urinária

Existem diferentes formas de incontinência urinária, e o tratamento depende de identificar corretamente qual delas o paciente apresenta:

1️ Urge-incontinência

É caracterizada por vontade súbita e intensa de urinar, com perda antes de chegar ao banheiro.
Está associada a alterações neurológicas (como AVC, Alzheimer, Parkinson), infecções urinárias ou hiperatividade da bexiga.

2️ Incontinência de esforço

Ocorre quando há perda de urina ao tossir, rir, espirrar, levantar peso ou fazer esforço físico.
É comum em mulheres que tiveram partos vaginais, em pessoas obesas, na menopausa (devido à queda do estrogênio), em pacientes com tosse crônica,  traumas na pelve (radioterapia, cirurgia, fratura), pacientes que fazem algum trabalho que exige muito esforço

3️ Incontinência mista

Combina os dois tipos anteriores — esforço e urgência. É uma das formas mais frequentes em idosos.

4️ Incontinência por transbordamento

Acontece quando a bexiga enche demais e o excesso de urina acaba escapando.
Pode ocorrer em homens com aumento da próstata, ou em pessoas com alterações neurológicas que dificultam o esvaziamento completo da bexiga.

5️ Incontinência por outras causas

Pode surgir após cirurgias da próstata, uso de diuréticos ou medicamentos que afetam o controle da bexiga, além de doenças neurológicas específicas.

Diagnóstico da incontinência urinária

O diagnóstico começa com uma avaliação clínica detalhada, na qual o geriatra investiga hábitos urinários, doenças associadas e uso de medicamentos.
Em alguns casos, pode ser necessário um exame chamado estudo urodinâmico, que avalia o funcionamento da bexiga, da uretra e dos músculos do assoalho pélvico.

A partir dessas informações, é possível definir o tipo de incontinência e o melhor plano de tratamento.

Tratamento da incontinência urinária

O tratamento depende da causa e da gravidade do quadro. Em muitos casos, medidas simples e fisioterapia pélvica já trazem grandes melhorias.

Fisioterapia e exercícios pélvicos

A fisioterapia do assoalho pélvico é fundamental tanto para homens quanto para mulheres.

Durante as consultas, são ensinados exercícios que fortalecem os músculos responsáveis pelo controle da urina, e o paciente pode continuar a prática em casa.

O Dr. Bruno Krepischi disponibiliza uma cartilha com exercícios específicos, que ajudam no controle da bexiga e reduzem episódios de perda urinária.

📘 Cartilha recomendada:
Cartilha de Exercícios para Incontinência Urinária (FCECON-AM)

Hábitos que ajudam no controle da incontinência

  • Evite café, refrigerantes, chás com cafeína, álcool e cigarro, pois irritam a bexiga.
  • Reduza o peso corporal — o excesso de peso aumenta a pressão sobre a bexiga.
  • Evite ingerir muito líquido à noite, especialmente antes de dormir.
  • Programe idas regulares ao banheiro, por exemplo, a cada 2 ou 3 horas, mesmo sem vontade.
  • Tente fortalecer o controle vesical, segurando a urina por alguns minutos quando sentir vontade.


Essas estratégias, associadas ao acompanhamento médico, podem diminuir significativamente os episódios de perda.

Tratamento medicamentoso

O uso de medicamentos é indicado quando os exercícios e as mudanças de hábitos não são suficientes.
Os principais grupos são:

  • Anticolinérgicos (oxibutinina, tolterodina, darifenacina, solifenacina): reduzem a hiperatividade da bexiga, servindo para incontinência de urgência, mas podem causar efeitos colaterais como boca seca, constipação, tontura, visão turva e piora da cognição.
  • Mirabegrona: opção mais moderna e segura, com menos efeitos adversos. Também serve para incontinência do tipo urgência. Pode subir um pouco a pressão arterial, consulte seu médico antes
  • Duloxetina: antidepressivo que ajuda a controlar a incontinência de esforço.
  • Tadalafila: utilizada em casos de incontinência urinária após cirurgia de próstata.


O uso deve ser sempre prescrito e monitorado por um médico, para evitar riscos e ajustar doses conforme a resposta do paciente.

Tratamento cirúrgico

Quando há falha no tratamento clínico, especialmente nos casos de incontinência de esforço grave, podem ser indicados procedimentos cirúrgicos para corrigir a sustentação da bexiga e uretra.

A decisão é tomada de forma individual, após avaliação clínica e exames complementares.

Prevenção e qualidade de vida

A incontinência urinária impacta diretamente o bem-estar físico e emocional, podendo causar vergonha, isolamento e medo de sair de casa.
Por isso, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado são fundamentais para recuperar autonomia, autoestima e qualidade de vida.

O acompanhamento com o geriatra é essencial para ajustar medicamentos, orientar exercícios e, se necessário, encaminhar para fisioterapia ou urologista.

CONCLUSÃO

A incontinência urinária é uma condição comum, mas que tem tratamento eficaz.

Com o diagnóstico correto, orientação médica e hábitos saudáveis, é possível recuperar o controle da bexiga e viver com mais tranquilidade.

Se você ou um familiar tem episódios de perda de urina, não hesite em procurar ajuda — quanto antes o problema for investigado, melhores serão os resultados.

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