Incontinência urinária em idosos: por que acontece e como tratar

Incontinência urinária em idosos: por que acontece e como tratar

A perda involuntária de urina é um problema comum, mas ainda cercado de vergonha e silêncio.

Muitos idosos convivem com o desconforto das “escapadinhas”, acreditando que é algo natural da idade — quando, na verdade, não é.

A incontinência urinária é uma condição que pode e deve ser tratada.

Com o acompanhamento certo, é possível recuperar o controle da bexiga, melhorar o sono e resgatar a confiança no dia a dia.

O que é incontinência urinária?

A incontinência urinária acontece quando há perda involuntária de urina, mesmo em pequenas quantidades.

Ela pode se manifestar durante o dia ou à noite, ao tossir, rir, fazer esforço ou simplesmente ao sentir uma vontade súbita e incontrolável de urinar.

Embora seja mais comum após os 60 anos, o problema não é uma consequência inevitável do envelhecimento.

Muitas vezes, ela está relacionada a doenças tratáveis, uso de medicamentos ou fraqueza muscular, e pode ser revertida com o tratamento adequado.

Por que a incontinência é tão frequente na terceira idade?

Com o envelhecimento, o corpo passa por várias transformações — e o sistema urinário também.

Os músculos da bexiga e do assoalho pélvico ficam mais fracos, o volume da bexiga diminui, e há mudanças hormonais que afetam o controle urinário.

Além disso, o uso de múltiplos medicamentos, doenças neurológicas, diabetes e problemas de próstata (nos homens) aumentam as chances de perda urinária.

É por isso que o problema deve ser visto de forma ampla e integrada, e não apenas como um sintoma isolado.

Tipos de incontinência urinária

Nem toda perda de urina é igual — e entender o tipo é essencial para o tratamento correto.

  1. Urge-incontinência

É quando a pessoa sente uma vontade súbita e intensa de urinar, sem tempo de chegar ao banheiro.
É comum em quem tem hiperatividade da bexiga ou doenças neurológicas como Parkinson, Alzheimer ou AVC.

  1. Incontinência de esforço

Acontece quando há perda de urina ao tossir, espirrar, rir ou fazer esforço físico.
É mais frequente em mulheres que tiveram parto vaginal, obesas ou na menopausa, e também em pessoas com fraqueza do assoalho pélvico.

  1. Incontinência mista

Combina os dois tipos anteriores — esforço e urgência — e exige uma abordagem mais completa.

  1. Incontinência por transbordamento

Quando a bexiga enche além da capacidade e a urina “vaza” aos poucos.
É mais comum em homens com aumento da próstata ou em casos de uso de medicamentos que interferem na contração da bexiga.

Como o geriatra faz o diagnóstico

O diagnóstico começa com uma conversa detalhada sobre os sintomas, hábitos e medicamentos em uso.
O exame físico e, em alguns casos, o estudo urodinâmico ajudam a entender o tipo de incontinência e suas causas.

O papel do geriatra é avaliar o paciente de forma global, levando em conta o sistema urinário, as doenças associadas, os medicamentos e até fatores emocionais.

Tratamento: recuperar o controle é possível

A boa notícia é que a maioria dos casos de incontinência urinária tem tratamento — e muitos deles sem necessidade de cirurgia.

Fisioterapia pélvica

É o primeiro passo no tratamento.
Por meio de exercícios específicos, ela fortalece os músculos responsáveis pelo controle da urina e melhora o reflexo da bexiga.
Com acompanhamento profissional, é possível perceber melhora em poucas semanas.

Mudanças de hábitos

Algumas atitudes simples ajudam muito:

  • Reduzir cafeína, álcool e refrigerantes;
  • Evitar líquidos em excesso à noite;
  • Parar de fumar (a tosse crônica piora as perdas);
  • Controlar o peso;
  • Evitar prender a urina por longos períodos;
  • Fazer pausas regulares para ir ao banheiro.


Essas medidas, aliadas à fisioterapia, já resolvem a maioria dos casos leves e moderados.

Medicamentos

Em alguns casos, o uso de remédios é indicado para controlar a hiperatividade da bexiga.
Existem diversas opções, como anticolinérgicos, mirabegrona e, em casos selecionados, antidepressivos que auxiliam na contração do esfíncter urinário.

Porém, o uso deve ser sempre individualizado e acompanhado pelo médico, evitando interações e efeitos colaterais.

Cirurgia

Nos casos mais graves — especialmente na incontinência de esforço que não melhora com fisioterapia — o tratamento cirúrgico pode ser indicado.

Hoje, existem técnicas minimamente invasivas, com excelentes resultados e rápida recuperação.

Viver sem medo e com mais liberdade

A incontinência urinária afeta não apenas o corpo, mas também a autoestima e o convívio social.
Muitos idosos passam a evitar passeios, exercícios e encontros familiares por medo de acidentes.

Por isso, buscar ajuda é o primeiro passo para recuperar a qualidade de vida.
Com a orientação do Dr. Bruno Krepischi, o tratamento é feito de forma completa, segura e respeitosa — devolvendo conforto, confiança e autonomia.

A Perda de Urina Não é Normal.

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